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Ovodoação: O que é e por que provoca tantas dúvidas?

Receber óvulos de outra mulher é a única alternativa para alguns casais que tentam engravidar. O sêmen do marido da paciente receptora é usado para fertilizar óvulos de uma doadora anônima. Quem normalmente recorre a essa opção é a mulher na menopausa ou que não produz “óvulos maduros” – como os médicos se referem aos gametas bons para a reprodução.

A menopausa é quando a mulher para de menstruar e ovular. Isso ocorre, em geral, em torno de 48 anos. Mas pode acontecer precocemente por motivos genéticos ou em decorrência de quimioterapia e radioterapia ou da retirada dos ovários.

“Muitos casais resistem à idéia temendo que o filho não tenha a aparência física deles. Esse é o medo mais comum”, conta o médico Paulo Gallo, responsável pelo Departamento de Reprodução Humana do Hospital Pedro Ernesto (UERJ) e diretor médico da Clínica Vida do Rio de Janeiro. Cerca de 15% das fertilizações feitas em sua clínica de ovodoação.

 

A ESCOLHA DA DOADORA

Para contornar o maior medo dos casais, os médicos selecionam doadoras com as mesmas características físicas da receptora. “Os pais têm acesso a uma ficha muito completa. E, uma vez confirmada à gravidez, a felicidade é tanta que ninguém lembra que o óvulo é doado”, comenta Gallo.

Mas onde conseguir uma doadora já que parentes e amigos não podem doar? Que mulher vai se submeter a uma dolorosa estimulação para ovular e ainda a um procedimento delicado de aspiração de óvulos por pura bondade ou altruísmo? Não existe. Aí começa longo e polêmico debate que a gente vai tentarsimplificar.

NORMA ÉTICA não existe no Brasil uma lei que determine as práticas de fertilização assistida. Há quem acredite que isso se deve à pressão de grupos religiosos e conservadores. O conselho Federal de Medicina foi então obrigado a estabelecer normas éticas a serem cumpridas pelos médicos.

O CFM determina que doação de óvulos seja anônima e gratuita. E isso fez surgir no Brasil, uma modalidade chamada de “doação compartilhada”. A doadora é uma mulher que também precisa passar por uma fertilização in vitro. Geralmente ela é jovem, saudável, mas impossibilitada de ter filhos por problemas tubários ou porque o marido é infértil. E ela não tem condições de pagar pelo tratamento.

A receptora terá então de arcar com o tratamento dela e indiretamente custear a fertilização da outra mulher de quem receberá metade dos óvulos. Segundo o Dr. Paulo Gallo, as clinicas são muito criteriosas para que essa troca aconteça de uma forma justa: “a doação não tem o intuito de ganhar dinheiro e não prejudicar ninguém. Essas duas mulheres devem dividir os benefícios igualmente”, explica o médico.

O médico pondera que o preço do tratamento não sofre muita alteração, já que são feitos apenas m procedimento de estimulação e um de aspiração de óvulos. O que acontece duas vezes é a transferência de embriões – uma para a receptora e a outra para doadora. Segundo Dr. Paulo Gallo, um tratamento de fertilização, normalmente, custa cerca de 16 mil e, na doação compartilhada, não ficará muito diferente disso. “O numero de embriões e a qualidade deles também devem ser partilhados em igualdade”, lembra Dr. Gallo.

Após a transferência, a recomendação para as duas pacientes é a mesma: repouso e medicação de hormônios que ajudam na fixação dos embriões. O exame que comprova a gravidez deve ser feito de 11 a 14 dias depois.

UMA RECEPTORA E SUAS DÚVIDAS

Andréa tem 33 anos e é secretária em São Paulo. Ela entrou em menopausa precoce aos 30 anos. Pediu ao médico que congelasse seus óvulos, mas era tarde demais: “meus ovários eram iguais aos de uma mulher de 70 anos, eu não produzia mais nada”.

Na época, Andréa havia acabado de sair de um relacionamento e, mesmo não tendo uma gravidez imediatamente em vista, quis procurar um especialista para saber quais seriam suas chances de engravidar no futuro. Numa clínica soube que existia a ovodoação. O médico que a tendeu teve a sensibilidade de encaminhá-la a um tratamento psicológico e isso foi fundamental.

“Não é fácil descobrir que você não pode ter filhos com as suas características e ainda se ver prestes a encarar reposição hormonal, perda óssea, perda de colágeno…” comenta a secretária sobre as características da menopausa.

Hoje, Andréa está namorando de novo e considerando uma gravidez para o próximo ano. Foi difícil contar ao namorado que sua única chance de ter filhos seria através da ovodoação. “Ele levou um susto, chorou… mas acabou se convencendo de que isso não podia nos impedir de ficar juntos e de ter filhos”, conta. Já que está pensando mais seriamente no assunto, a secretária fez um questionário com as dúvidas que aposta que muitas dessas respostas interessam às nossas leitoras. Quem responde é o Dr. Paulo Gallo.

 

DESDE QUANDO A OVODOAÇÃO EXISTE? E QUAIS AS ESTATÍSTICAS DE SUCESSO NO TRATAMENTO?

O tratamento com ovodoação existe desde a década de 1980, quando a FIV se tornou uma prática com resultados seguros. A taxa de gravidez depende da idade da doadora dos óvulos. Normalmente são selecionadas doadoras abaixo de 30 anos e as taxas de gestação com OD (óvulos doados) são de 50 a 60%.

QUAIS SÃO OS EFEITOS COLATERIAS PARA QUEM PASSA POR UMA OVODOAÇÃO (DOADORA E RECEPTORA)?

A doadora passa pelos mesmos procedimentos de uma FIV convencional, com os mesmos riscos e efeitos colaterais: retenção de líquido risco de hiperestímulo, discreto desconforto pélvico, entre outros. A receptora praticamente não apresenta nenhum efeito colateral importante, pois o preparo endometrial utiliza doses hormonais muito próximas da fisiológica.

EXISTE UM TEMPO DE ESPERA? HÁ FILA PARA A DOAÇÃO COMPARTILHADA?

Normalmente, o tempo de espera é de cerca de três meses, período este necessário para encontrar uma doadora compatível com a receptora (aparência física, tipo de sangue, avaliação sorológica, psicológica e familiar da doadora).

COMO CONFIAR EM UMA BOA CLÍNICA E MÉDICO?

A paciente que se submete ao tratamento com ovodoação precisa confiar muito na clínica e no médico que a está acompanhando. A melhor maneira é conseguir referencias com outras pacientes que tenham se submetido previamente ao tratamento com este profissional. Dar preferência, ainda a clinicas que sejam credenciadas pela Rede Latino-americana (RedeLara).

QUAIS SÃO OS LUGARES NO MUNDO ONDE EXISTEM CENTROS DE TRATAMENTO AVANÇADOS PARA A OVODOAÇÃO? SÃO TRATAMENTOS PARTICULARES OU PÚBLICOS? E EM RELAÇÃO AOS VALORES, É MUITO DIFERENTE DO QUE AQUI NO BRASIL?

Em alguns países, como nos EUA, a ovodoação é permitida através da compra dos óvulos, sem necessidade de anonimato. Na índia, também existem clínicas que comercializam os óvulos doados e oferecem até a “barriga de aluguel”. Acredito, porém, que tratamento, sai mais em conta fazer o tratamento aqui no Brasil.

NORMALMENTE UMA BRASILEIRA É MAIS COMPATÍVEL PARA DOAR UM ÓVULO À UMA OUTRA BRASILEIRA OU NÃO IMPORTA A NACIONALIDADE (EX. UMA DOADORA DE ORIGEM GREGA PODE DOAR SEU ÓVULO A UMA BRASILEIRA… O QUE IMPORTA É O DNA COMPATÍVEL ENTRE AS DUAS?)

O mais importante são as características físicas: cabelo, cor dos olhos, altura, cor da pele e grupo sanguíneo.

AS TAXAS DE ABORTO SÃO CONSIDERADAS ALTAS NESSE TIPO DE TRATAMENTO?

As taxas de aborto são muito semelhantes às da gestação espontânea: cerca de 10 a 15%.

EXISTE ALGUM RISCO DA CRIANÇA NASCER COM ALGUMA DOENÇA OU DEFORMIDADE?

As taxas de más-formações são também muito próximas das taxas de gestação espontânea.

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Médico responsável: Dr Sebastião Teixeira - CRM 2693