Quem tem, sofre. Todo mês é a mesma coisa. Com a menstruação, vem a dor. Muitas vezes incapacitante até para tarefas simples. A bibliotecária Carla Ramos sabe bem o que é isso. Sofreu com a doença por 22 anos. Por muitas vezes, ainda adolescente, teve que deixar o colégio mais cedo por conta de hemorragias e cólicas fortes. “Ficava uma semana bem e três mal. Fui a vários médicos. Eles diziam que meu problema era psicológico e me davam algum remédio para dor, que pouco adiantava”, conta.
A descoberta da endometriose só veio quatro anos depois, quando um ginecologista lhe pediu uma ultrassonografia e finalmente fez o diagnostico correto. Teve de operar. “Como era tudo novo na época, fiz uma espécie de cesariana. Perdi o ovário para suspender a menstruação”. Foram oito meses de sofrimento até achar o remédio ideal. E quando estava com 30 anos, a notícia: a endometriose tinha voltado. Teve de ser submetida a outra cirurgia. Desta vez uma videolaparoscopia, menos invasiva, mas não menos sentida. Perdeu parte do ovário direito.
Por causa disso, começou a entrar na menopausa aos 32 anos. Tomou hormônio para que tudo se normalizasse. Aí veio outro problema: a prolactina ficou alta e com ela, o risco de um tumor hipófise. “Estava indo morar nos Estados Unidos a trabalho quando soube. Foi um sufoco. Tive que tomar remédios fortíssimos e longe de todo mundo.” Na volta ao Brasil, aos 39 anos, voltou a sentir os sintomas da menopausa. Calores, insônia, taquicardia, depressão. “Comecei a fazer reposição hormonal. Aí apareceram outros problemas, como osteopenia e osteoporose. Hoje estou bem, graças aos medicamentos adequados e exercícios físicos” garante.
A doença. A endometriose é caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina. Ele pode ser encontrado em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga. Os principais sintomas são cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual e ao ter relações sexuais, além de infertilidade.
O tratamento. O tratamento clínico ideal e mais eficaz para endometriose é cirúrgico. A videolaparoscopia, um procedimento minimamente invasivo, possibilita ao médico olhar a cavidade abdominal através de pequenos orifícios, com quase nenhum trauma para a paciente. Além disso, possibilita que o médico veja melhor os focos fora do útero para então retirá-los. Alguns países da Europa e os Estados Unidos já realizam cirurgias robóticas para tratar doença. O robô é conhecido como Vinci Surgical System, considerado uma evolução da laparoscopia, e possibilita ao médico uma visão em três dimensões e maior precisão no procedimento. Por enquanto, apenas alguns hospitais de São Paulo utilizam cirurgias com robôs no Brasil.
A endometriose e a FIV. De acordo com dados da Sociedade Americana de Reprodução Humana (ASRM), a mulher com endometriose severa aumenta a possibilidade de gravidez quando submetida à FIV. Além disso, as chances de engravidar também aumentam após uma vídeo laparoscopia. Tanto naturalmente, quanto por FIV.
FONTE: REVISTA FÉRTIL







